Fone de ouvido sem fio branco

Podcast Deep Growth: backstage, aprendizados e mais

Esse ano tirei do papel um projeto que tinha já há algum tempo: criar um podcast voltado para Growth Hacking, marketing e crescimento de negócios como um todo.

Como às vezes (muitas vezes) é bom ter um empurrão e uma companhia das boas, chamei meu sócio na Growth Leaders Academy, Gabriel Costa, para ser co-host e co-criador do que agora vocês conhecem como Deep Growth.

Nesse artigo vou compartilhar os aprendizados do programa, para ajudar outras pessoas que pensam em ter um podcast mas se assustam com a ideia, desde o planejamento inicial, passando pelo que acontece no backstage, até como fizemos a divulgação e growth inicial do nosso podcast. Vamos nessa?


Essa semana (dos dias 16/11 a 21/11) estamos fazendo uma série de webinars sobre growth gratuitos e o conteúdo é absurdamente bom.

Inscreva-se aqui: https://growthleaders.academy/webinars-de-growth/.


Em primeiro lugar, existe muito barulho sobre o tema podcast, assim como sobre tantos outros assuntos. Muita coisa que se diz “fundamental” é, na verdade, dispensável. Há muitas complicações iniciais que podem ser evitadas.

A prática ajuda a tirar essas pedras do caminho, então vou tentar ao máximo já removê-las pra você, mostrando os caminhos que encontrei para contornar essas dificuldades e que me permitiram tirar a minha ideia do papel.

Se você também quer produzir um podcast ou se tem curiosidade de como iniciar um, esse artigo pode lhe ajudar da seguinte forma:

  • Mostrar que podcasts não são “mídias alternativas” e que possuem bastante potencial de crescimento
  • Saber quais são as definições básicas para iniciar um podcast
  • Conhecer algumas das dificuldades que talvez você possa encontrar no começo
  • Comprovar que vale a pena começar um podcast.

Esse artigo é um mix entre a documentação da Primeira Temporada do Deep Growth e um compartilhamento dos primeiros passos para lançar um podcast próprio.

Porquê podcasts valem a pena

Em 2014, dois amigos decidem fundar um negócio pouco convencional, uma empresa que produzisse conteúdos narrativos em áudio e fosse um network para podcasts. O problema é que naquela época os podcasts estavam longe de ser mainstream.

Era ainda considerado um mercado embrionário. Não haviam grandes players nem muita tecnologia disponível para produção e distribuição. Além do que, os podcasts que existiam eram muito mais voltados para entretenimento. As empresas ainda não tinham entendido o potencial de comunicação e engajamento que essa mídia possui.

Consequentemente, havia poucos investidores interessados nesse business.

Mas todos esses contrapontos não impediram Alex Blumberg e Matthew Lieber (os dois amigos), de começarem a Gimlet Mídia. Inclusive, a história dos primeiros passos da Gimlet é contada pelo próprio Alex no seu podcast StartUp. Logo no primeiro episódio (How not to pitch a billionare) ele narra o pitch desastroso que fez para Chris Sacca e no segundo, sobre as dificuldades de convencer novos investidores de que Podcast não é Rádio.

Quem ouvisse essa história em 2014 talvez não acreditaria que, em 2019, a Spotify compraria a Gimlet Mídia por $230 milhões. E que em 5 anos, um mercado que era considerada “de nicho”, passou a movimentar mais de 1 bilhão de dólares por ano.

Hoje em dia os podcasts são uma mídia própria — quero dizer, com conteúdos próprios e com formatos dos mais variados. Os tipos de conteúdo variam desde audionovelas e divulgações de pesquisas científicas a shows de entretenimento e entrevistas. Os temas também são bastante abrangentes. Você tem podcasts sobre business, moda, neurociência, cuidados com a saúde e por aí vai. Eu mesma adoro ouvir uma série de podcasts enquanto dirijo para o trabalho, acabou se tornando uma forma muito bacana de aprender.

A pesquisa Infinite Dial 2020 aponta que o número médio de ouvintes por mês, só nos Estados Unidos, subiu de 15% da população para 37%.

Pesquisa Infite Dial demonstra crescimento dos podcasts

A indústria de podcasts ainda é bastante pequena quando comparada com a indústria do Rádio e da Música, que faturam 45 e 51 bilhões de dólares respectivamente. Mas em comparação, enquanto essas duas crescem uma média de 4% ao ano, podcasts têm crescido entre 25 e 30% ao longo dos últimos 4 anos (e, como vocês sabem, crescimento é um grande indicativo de sucesso).

Então se havia alguma dúvida sobre o potencial dessa mídia, essa dúvida deixou de existir quando passou a movimentar mais de bilhão de dólares, não é mesmo?

Mas apesar de todos esses números enormes e que brilham aos olhos, não foi esse o motivo que me fez começar o Deep Growth. A minha motivação é bem mais subjetiva e tem a ver com uma possibilidade que só o formato de podcast pode proporcionar: o encontro entre conteúdo profundo e de qualidade com a facilidade de ser consumido.

Porquê eu comecei o Deep Growth

Ao longo de toda a minha trajetória profissional, ficou muito clara a importância do compartilhamento de conteúdo. Dividir o que se sabe com mais pessoas não apenas enriquece o ecossistema de negócios à sua volta como facilita o seu próprio desenvolvimento. Eu aprendo muito mais ensinando e com toda a troca com outros profissionais em geral.

Por conta disso eu sempre tive o hábito de compartilhar meus aprendizados — mas não de forma massiva. Normalmente esse compartilhamento acontecia em grupos mais próximos, mentorias, aconselhamentos ou em conversas com amigos também empreendedores, apesar de volta e meia dar palestras para públicos maiores. Mas uma característica marcante dessas conversas com grupos menores é justamente a profundidade que elas costumam chegar. Quando compartilhamos aquilo que sabemos em um bate-papo, abrimos margem para que outras pessoas contribuam com insights — e o resultado disso normalmente é de derreter o cérebro.

Pelo contato que tenho com pessoas de alto nível e com a recorrência dessas conversas, um pensamento ficava sempre rondando minha cabeça: “Se mais gente pudesse ouvir essa conversa, certamente piraria no assunto”. E apesar da minha rede social preferida ser o Instagram, esse não seria o melhor caminho.

O Instagram oferece o que poucas mídias podem oferecer: um bom alcance de novas pessoas, usuários plugados na plataforma todos os dias e muita facilidade para consumir o conteúdo. Mas em contra partida, para que dê certo é necessário um nível de exposição mais alto — e eu particularmente não gosto de me expor tanto. É uma questão de timidez.

Além do mais, é completamente diferente compartilhar uma conversa e compartilhar o “resumo da conversa”. Os posts para Instagram jamais alcançariam o nível de profundidade que eu queria para esse conteúdo.

Portanto, um podcast seria a melhor alternativa para pegar o conhecimento das mentes mais brilhantes de growth, gestão de produto e business do Brasil e torná-lo acessível de forma orgânica e aprofundada.

Quando comentei sobre essa ideia com o Gab, meu sócio na Growth Leaders Academy, ele topou imediatamente e assumiu esse desafio comigo.

Porquê não é tão simples gravar um podcast

Infelizmente, gravar um podcast não é tão simples quanto ligar um gravador e começar a conversar. Há dois motivos pelos quais isso acontece:

Primeiro, porque apesar de muitas das nossas conversas do dia-a-dia serem dignas de virar um podcast, elas não acontecem com frequência suficiente. Então não seria possível produzir conteúdo com a consistência necessária para manter um podcast. Não importa se você lança episódios semanalmente, quinzenalmente ou mensalmente. O importante é que uma vez estabelecida a frequência de conteúdo, você precisa cumpri-la. Seus ouvintes esperarão pelos novos episódios e frustrá-los pode derrubar a credibilidade do podcast.

Segundo, porque a qualidade do áudio é muito importante. Em outros formatos, como lives ou vídeos, o áudio também importa, mas não tanto quanto em um podcast, onde o canal primário é o som. Não nos incomodamos quando uma influencer faz uma live em um espaço aberto e a voz dela fica toda cortada pelo vento. Esse tipo de coisa é compreensível. No vídeo existem outros fatores que estimulam a atenção de quem está assistindo. Já no caso do podcast, o áudio é o único estímulo. Então se a gravação não tiver uma qualidade mínima, não dá para construir audiência.

E se eu decidisse simplesmente gravar as minhas conversas em tempo real, o áudio naturalmente ficaria ruim (dadas as condições do ambiente e de interrupções etc).

Além disso, também é preciso uma certa consistência na temática dos episódios. Mesmo os podcasts “aleatórios” possuem um tema, que é a “aleatoriedade”. Sem isso, o conteúdo deixa de fazer sentido e o ouvinte perde o incentivo para acompanhá-lo.

Portanto, não é tão simples começar um podcast porque precisa de um preparo mínimo: setup de equipamentos, definições para orientar o conteúdo, roteiro e alguns outros direcionamentos. Mas também não é tão complicado assim. O que falta é um pouco de clareza sobre quais passos tomar. E para me ajudar a dar esses primeiros passos, eu pensei, nada melhor do que falar com quem entende do assunto.

Fui buscar orientação do pessoal que faz o Podcast Playbook (da Astella Investimentos), do qual sou fã.

As recomendações que eles me deram foram sensacionais. Me apresentaram quem poderia fazer a edição do podcast, enviaram recomendações de setup inicial e outros detalhes importantes. O único porém é que, por já terem bastante tempo de podcast, as recomendações que me fizeram eram muito profissionais e bastante avançadas. E como eu queria dar os primeiros passos, precisei dar uma ajustada para se adequar ao meu cenário.

O que vou compartilhar a seguir, portanto, é uma versão digerida das recomendações que eles me deram somadas à minha experiência pessoal ao colocá-las em prática.

Como começar um podcast?

Tipo de microfone, software de gravação, roteiro, frequência de publicação, onde publicar, como conseguir audiência… em meio a todos esses detalhes é muito fácil se perder na hora de começar um podcast. Você lê, lê, lê, assiste, assiste, assiste…e se perde em muitas abas e informações. Por isso, a maneira mais simples que encontrei de me organizar foi segmentar a produção de um podcast em 3 etapas:

  1. Definições conceituais
  2. Gravação
  3. Lançamento

Pensar sobre uma coisa de cada vez permite sair dessa confusão mental e criar um plano de ação que seja de fato realizável. Porque produzir conteúdo para podcast, na essência, não é tão diferente de produzir para outros meios e formatos. Só o que muda são as especificações técnicas e os detalhes.

Portanto, vamos às etapas:

I. Definições conceituais

Assim como outras estratégias de conteúdo, o sucesso de um podcast depende bastante da consistência do conteúdo — tanto em termos de frequência quanto em padronização dos tópicos abordados. Então quanto mais decisões desse tipo você puder tomar no início, mais simples se tornam a gravação e a publicação desse conteúdo.

As definições conceituais, portanto, são as linhas mestras que vão guiar esse conteúdo ao longo dos episódios e das temporadas.

Formato do podcast

Para quem não é tão viciada em ouvir podcasts, talvez esteja mais familiarizada com os formatos de entrevista e conversa entre os hosts. Mas na real existem pelo menos 6 formatos mais populares:

  • Entrevistas
  • Conversacional
  • Educacional
  • Individual
  • Storytelling de não-ficção
  • Storytelling de ficção.

Naturalmente cada um desses formatos possuem seus prós e contras, mas também influenciam diretamente outras diretrizes do podcasts. Por exemplo, se você opta por fazer entrevistas, sempre existe a dificuldade de alinhar agenda com o entrevistado. Se você opta por storytelling, precisa adicionar mais efeitos sonoros na edição para ambientar a história e torna-la mais atrativa ao ouvinte.

Se quiser saber mais detalhes sobre esses seis formatos, eu recomendo a leitura desse artigo aqui: 6 Popular Podcast Formats: Which One is Right for You? Ele é bastante instrutivo e traz detalhes importantes a serem considerados antes de escolher qual formato seu podcast terá.

No caso do Deep Growth, o Gabriel e eu queríamos entrevistar nossos amigos e profissionais relevantes do mercado, mas não queríamos que as entrevistas tivessem um formato muito quadradão ou formal demais. A ideia é que a mesma conversa que costumamos ter fora do microfone fosse transportada para dentro do áudio. Então optamos por um formato Entrevista-Conversacional.

Essa primeira decisão implica na construção de um roteiro mais para frente. Por exemplo, no nosso caso precisávamos formular perguntas para orientar a entrevista, mas também tínhamos que tomar cuidado para as perguntas não ficarem muito fechadas ou muito impessoais, dado o estilo que escolhemos.

Entonação

Normalmente quando se define o formato, define-se também o tom que os episódios vão seguir. Mas acho legal dar um destaque a esta questão porque, apesar de ser sutil, faz muita diferença no resultado final.

Como era a primeira vez que o Gabriel e eu fazíamos um podcast, fomos buscar referências de outros podcasters para nos inspirarmos. E o trabalho aqui foi tanto de encontrar conteúdos que nos agradavam, quanto aqueles que não agradavam tanto assim. Queríamos ter claro o que fazer e o que não fazer com o nosso próprio conteúdo.

Por fim, a entonação que optamos é que não seria um conteúdo cômico, mas também não seria um conteúdo formal. Queríamos manter a mesma informalidade com que temos conversas na nossa rotina, mas sem perder a seriedade do assunto.

Detalhe: definir a entonação funciona mais como orientação do que como aplicação prática. Porque uma coisa é ter em mente a maneira como quer falar, outra é conseguir transpor isso para o episódio. Não é tão simples no começo. Só dá para fazer isso com a prática e com a experiência.

Mas ainda assim é legal ter esse tipo de coisa em mente desde o começo. Assim, quando gravar o primeiro conteúdo, você pode ouvir e avaliar se está no caminho que queria ou não, e fazer ajustes para o próximo.

Direcionamento do conteúdo

Aqui cabe definir sobre “o quê” o podcast se trata. É a definição do core do conteúdo. Por exemplo, um podcast sobre negócios não necessariamente vai tratar de negócios no geral; o conteúdo pode tratar de estudos de caso de empresas, comparações de mercado, tendências em tecnologia, startups que vale a pena ficar de olho e por aí vai.

Definir o direcionamento do conteúdo está diretamente ligado à definição de público que você quer atingir. Essas duas coisas andam de mãos dadas.

No nosso caso, o cor do conteúdo seria growth. Mas o quê de growth? Quero dizer, íamos falar só sobre estratégias de crescimento? Falaríamos só de marketing, performance e hacks ou traríamos assuntos de cultura e formação de time também?

Essas perguntas foram dando forma ao que esperávamos do podcast.

Nossa intenção não era falar só de técnica ou só da área de growth. Uma particularidade minha e do Gabriel é que, quando olhamos para growth, olhamos para o negócio e não para a área. Então queríamos falar também de produto, de gestão, de formação pessoal, de carreira. Enfim, queríamos trazer tudo que diz respeito ao crescimento acelerado dos negócios.

Para nós, não bastaria falar sobre a superfície. Queríamos nos aprofundar no assunto. E essa vontade de aprofundamento é o que acabou levando à escolha do nome também. Mas definir o caminho do conteúdo e definir o nome são coisas diferentes.

O nome é uma escolha muito mais estratégica do que conceitual.

Como escolher o nome do podcast

Diferentemente de outras áreas, aqui não tem problema se você der ao seu podcast o nome de um que já existe. Quero dizer, problema tem, mas não é oficial. É possível existir mais de um podcast com o mesmo nome — não há regulamentação quanto a isso.

O problema é que se você fizer isso, corre o risco de não ranquear muito bem nas plataformas de áudio. O Google Podcasts, iTunes, Spotify, SoundCloud, PocketCast e outros networks desse tipo sempre vão dar preferência a quem tem mais tempo de casa. Ou seja, escolhendo um nome que já existe talvez você não apareça para os ouvintes quando eles pesquisarem por lá — e se aparecer, estará logo atrás do seu “concorrente direto”.

O melhor então é não fazer isso. Optar por um nome original é o caminho mais inteligente.

Os cuidados que recomendo para isso, então, são dois: o nome tem que dar a entender o do que se trata o podcast; tem que facilitar o ranqueamento orgânico.

SEO também é uma preocupação para publicar o podcast e o nome faz parte disso.

No nosso caso passamos por diversas alternativas. As mais óbvias já existiam como títulos de podcasts. Outras, existiam como outros tipos de projetos relacionados à negócios. E ainda outras mais estavam mais livres, porém tinham domínios já registrados, então ficaríamos sem essa perna. Assim, seguimos tentando achar algo mais único, mais nosso.

No final, ficamos com duas opções. Uma muito simples, chamada “Podcast de Growth” e outra, que refletia essa profundidade com a qual queríamos tratar o assunto, “Deep Growth”. Fiz uma votação no meu Instagram e meu próprio público ajudou a escolher o nome “Deep Growth”.

II. Gravação do podcast

Aqui entramos na parte técnica que talvez assuste um pouco as pessoas. E é também a parte que eu fiz o maior número de adaptações para fazer caber no meu orçamento de quase zero e na minha vibe “bora fazer”.

A seguir, vou compartilhar as recomendações que o pessoal do Astella Playbook me fez e quais foram os ajustes que tive que fazer para colocá-las em prática.

Estrutura e set-up mínima

O mais importante desse setup é garantir uma boa qualidade sonora, como reduzir os ruídos do ambiente, evitar que haja eco ou que a voz fique estourada na gravação. Naturalmente o melhor lugar para se fazer isso é dentro de um estúdio profissional. Mas na impossibilidade de gravar em estúdio (que é o meu caso), é possível fazer adaptações para garantir uma qualidade mínima.

Vou colocar na íntegra as recomendações do pessoal da Playbook e depois dizer como fazemos na Deep Growth:

Uma sala pequena e isolada de ruídos → “O ideal é uma sala pequena, sem ruídos ou interferências. Melhor ainda se tiver objetos que quebrem um pouco da reverberação natural da sala, tipo estantes, livros, etc. Um bom exemplo é a sala que o Ariel Palacios grava os vídeos dele na Globonews. Aqueles livros todos criam um cenário para a câmera mas também contribuem indiretamente para o som. E um mau exemplo seria uma sala quadrada de vidro.”

Um gravador de qualidade → “Super recomendo o Zoom H6 (grava até 4 microfones ao mesmo tempo), mas também existem modelos mais simples, mas que só dá para gravar 2 microfones ao mesmo tempo. Outra opcao é usar um notebook com interface de áudio e algum software tipo garage band — mas acho pior, menos portatil e mais sujeito a falhas.”

Microfones e pedestais → “Um microfone 1st class é o Shure Sm7b. Um business class seria o Sure Sm58, que é o que usamos aqui na Playbook. Um coach class seria o Samson Q7. Você também vai precisar de um pedestal para manter o microfone estável e um cabo para ligá-lo ao gravador.”

Software para gravação e mixagem do som → “Dá para fazer essa gravação de muitas formas. Neste artigo do The Podcast Host, você encontra maneiras de gravar usando o próprio Skype. Dá para fazer de forma simples e pática, como gravar a chamada direto da ferramenta, até maneiras mais sofisticadas e técnicas, como conectando a uma mesa de som para capturar o áudio com qualidade.”

Edição do som e publicação online → “depois de gravado, você precisa editar no formato certo para fazer upload nas plataformas. Essa edição você pode fazer por conta própria, mas isso vai exigir um investimento de tempo para estudo sobre como mexer em ferramentas de mixagem de som e coisas do tipo. Ou pode contratar alguém para fazer isso, que vai exigir um investimento financeiro, mas que vale muito a pena.”

Publicação online → “Para publicar os episódios, usamos o Libsyn, mas existem outros, como o Blueberry, por exemplo”. O que essas ferramentas fazem é publicar o conteúdo em todas as plataformas, gera o analytics e outras coisas do tipo.

No caso do Deep Growth, nós fazemos da seguinte forma:

Gravamos sempre remotamente (Gabriel da casa dele, eu da minha e o convidado de onde estiver). Por isso eu ajustei um dos quartos de casa para reduzir essa reverberação. Basicamente, escolhi o menor quarto, que uso como home office. Optei por comprar um microfone ok pela Amazon, porque esse é um investimento necessário e que se justifica pela duração do produto. Não é uma grana que terei que investir de novo tão cedo. O microfone que escolhi foi o Samson Q2U.

Para gravar as conversas, nós usamos o Zencastr, que pega as entradas de áudio individualmente e salva na nuvem. Então as vozes não ficam sobrepostas e dá menos trabalho para a edição. Também reduz o trabalho do entrevistado de ter que gravar do PC dele e enviar o arquivo para mim depois e diminui o risco de perder ou quebrar o arquivo — normalmente passamos mais de uma hora conversando, arriscar perder esse conteúdo não é nada legal.

Depois de gravar cada episódio, nós contamos com o apoio da Olá Podcasts para fazer a edição. Preferimos trabalhar com um serviço profissional para aliviar um pouco a carga de trabalho que Gabriel e eu temos. Além de fazer esse podcast, lideramos times de marketing de empresas relevantes e damos mentoria de growth às noites e alguns fins de semana.

Resta então apenas os Sábados, Domingos e muito cedo ou muito tarde durante a semana, para planejar o podcast e gravar. Se tivéssemos que editar ainda, se tornaria bem inviável produzir esse conteúdo.

Roteiro e Temas para os episódios

Eu conheço duas formas de fazer os roteiros: tem pessoas que fazem um documento muito estruturado nos moldes técnicos de roteirização (com leitura de e-mails, anúncio de patrocinadores, linhas de perguntas, linhas de diálogo e coisas do tipo); e a maneira como fazemos no Deep Growth — criamos algumas linhas gerais, pensamos em perguntas centrais e o resto é fruto da conversa com cada entrevistado, o que na minha opinião torna o papo mais fluido e honesto.

O nível de complexidade e de estruturação do roteiro depende diretamente do formato de podcast que você escolher. Eu duvido que um podcast de storytelling poderia ser feito da maneira como montamos o nosso roteiro. Mas também acredito que uma entrevista com roteiro muito bem estruturado pode acabar estragando a experiência tanto da entrevistada quanto de quem ouve o conteúdo.

A minha recomendação é não se preocupar tanto assim com o roteiro no início e ocupar-se mais com o tema de cada episódio. Essa temática é o que garante a qualidade do conteúdo. O roteiro é só um instrumento, uma formalização desse tema para orientar você durante a gravação. Então se você se preocupar muito com a forma do roteiro, não dará tanta atenção ao conteúdo em si.

No caso do Deep Growth a gente toma dois cuidados grandes na hora de montar o roteiro. Primeiro pensamos em como o convidado pode contribuir para o assunto. Quais conhecimentos essa pessoa tem que podem interessar aos nossos ouvintes? Depois nos preocupamos em quais perguntas fazer.

Essa segunda preocupação não é uma obrigação para todo podcast de entrevista, mas uma particularidade de quem quiser convidados com bastante presença pública. No nosso caso, os entrevistados estão acostumadas a dar entrevistas e palestras em geral, então é muito comum que já estejam habituados a responder a certas perguntas. Como a nossa ideia é gerar um conteúdo único, tomamos o cuidado de não sermos mais do mesmo, fazendo perguntas diferentes e pelas quais realmente nos interessamos como profissionais da área.

Só depois dessas definições é que formalizamos as perguntas em um roteiro.

Convidados e Ajuste de agendas

Esse aqui é um tópico que só faz sentido para quem fizer um podcast de entrevistas. Pois há dificuldades específicas para conseguir convidados:

  1. Ter uma pauta que seja atrativa;
  2. Conseguir casar as agendas.

Por causa da minha carreira no empreendedorismo, tenho a sorte de ter contato pessoal com muita gente que quero entrevistar. E quando não tenho um contato tão próximo, normalmente estou a poucas pessoas de distância dos potenciais entrevistados para as primeiras temporadas. Então hoje não é uma dificuldade grande encontrar pessoas que queiram participar do Deep Growth.

Mas essa sorte não dura para sempre. À medida que o podcast evolui e eu for esgoto a lista de pessoas próximas a mim, precisarei encontrar novos convidados com quem eu não tenho tanto contato, mas que sei que podem contribuir com um conteúdo exclusivo.

Para chegar a essas pessoas e conseguir que elas queiram contribuir, o tema e a abrangência do podcast precisa interessar a eles. E se um podcast está ainda no começo, como foi o caso do Deep Growth, não é possível prometer um alcance a uma audiência maior do que essa pessoa já tem. Mas dá para propor uma exposição de conteúdo muito mais aprofundado.

Portanto, a pauta precisa ser atrativa.

O que fazemos antes de chamar algum convidado é fazer uma breve pesquisa sobre ele, levantar quais assuntos ele possa querer falar e mapear outro ponto de interesse. Assim, quando fazemos o convite, temos sempre uma proposta de valor para a entrevista.

Depois, é preciso achar um horário para que a conversa aconteça.

Como estamos falando de negócio, estamos também falando de pessoas muito ocupadas e com agendas bastante apertadas. Por conta disso, eu preciso acrescentar um pouco de imprevisibilidade ao meu planejamento. O que faço é mandar vários convites ao mesmo tempo e, conforme as respostas voltam, vou administrando a minha agenda para dar conta.

O mais comum é realizarmos a entrevista das 21h à 23h. Esse é um horário normalmente vago para a mim e para as pessoas com quem quero conversar. Tirando algumas exceções, esse ritmo de tem funcionado bem para montarmos agenda e produzirmos o conteúdo.

Criar um conteúdo único e exclusivo

Esse último ponto é mais um aviso do que uma recomendação.

Quando for gravar seu podcast, tome cuidado para não se apegar demais a suas referências ou aos seus modelos. Porque é muito fácil de isso acontecer.

Faça um esforço para colocar a sua própria identidade no que está fazendo. Olhe para o que já existe e se pergunte o que você pode fazer de diferente. O que só você pode fazer que mais ninguém pode.

Seja uma diferenciação na entonação, no tipo de pergunta, no formato de apresentar o conteúdo, na estrutura de tópicos de podcast…Enfim, aqui é a hora de colocar — literalmente — a sua própria voz em atividade.

III. Lançamento

A terceira e última parte é pensar em como esse podcast chegará até seus ouvintes. Porque tão importante quanto a produção é a entrega.

Nesse post eu não pretendo falar sobre SEO ou sobre otimização nas plataformas de reprodução de áudio. Mesmo porque ainda estamos testando estratégias e validando quais funcionam com o Deep Growth. Possivelmente numa continuação deste artigo posso falar sobre como impulsionar o alcance do podcast.

Mas, por ora, quero focar apenas nas ações que aplicamos e que tiveram bons resultados. Especialmente porque esses itens são pouco discutidos em artigos que falam sobre “como começar um podcast”. Normalmente foca-se muito na parte técnica e estrutural, e pouco na parte de entrega.

Esses aqui, então, são os pontos que fizeram diferença e nos ajudaram a chegar a mais pessoas com o Deep Growth:

Design e identidade visual

Assim como o nome, a identidade visual é igualmente responsável por transmitir informações importantes sobre o podcast. Só que, além disso, também gera credibilidade para o ouvinte.

Por isso optamos em trabalhar com um designer que já tinha feito outros trabalhos de branding para nós. Especificamente, tinha trabalhado na identidade visual do Growth Leaders Academy.

Para o Deep Growth, nós até poderíamos usar o mesmo logo da Academy. No entanto, Gabriel e eu vemos o podcast não como um subproduto da GLA, mas sim como um produto com vida própria. É um formato de entrega mais cool, menos formal e mais aberto — portanto, precisaria de uma identidade própria.

Quando fomos ver os logos de outros podcasts que falam do mesmo assunto, quisemos fugir daquele padrão da imagem com um microfone, mas sem deixar de usar elementos que tivessem relação com a gravação de áudio. Ficamos pensando como incorporar gráficos de crescimento e elementos de áudio na mesma imagem, sem ser óbvio. E foi quando veio a ideia genial do Gabriel, de usar o cabo de um microfone como se fosse um gráfico de barras em crescimento.

Foi a combinação perfeita de elementos tanto de growth quanto de podcast.

Esse é o tipo de decisão que dificilmente a audiência para pra observar. É menos óbvio e menos nítido, mas que contribui diretamente para entrega de valor.

Por isso, quando for lançar o podcast, dê algumas horas de atenção à sua identidade visual porque vale a pena.

Patrocinadores e apoiadores

Esse é o tópico que brilha aos olhos de qualquer podcaster: ter patrocinadores e apoiadores que colocam dinheiro na marca. Porém, como no início um podcast ainda não tem audiência, raramente se consegue alguém para colocar dinheiro no projeto.

Trata-se aqui de um pequeno paradoxo: podcasts que tem patrocinadores tendem a gerar mais credibilidade, o que facilita a criação de audiências e ajuda a ter mais patrocinadores, e a roda se retroalimenta. Mas como no começo não se tem nenhum demora um pouco mais para chegar esse patamar e conseguir quem apoie o conteúdo.

Seria muito melhor, portanto, se desse para começar do dia zero com alguma marca por trás do podcast, certo? Certo.

E o que descobrimos com o Deep Growth é que isso é plenamente possível. Dá para conseguir patrocinadores, se a sua proposta fizer sentido para eles. Nem sempre uma marca precisa colocar dinheiro no seu podcast para você tê-la como patrocinadora.

O que fizemos, então, foi o seguinte: depois de termos clareza de qual conteúdo produziríamos e para qual público, começamos a pensar em quais soluções seriam úteis para esse público. O que poderíamos trazer para eles que ajudaria no seu dia-a-dia?

Quando fomos conversar com a SEMrush tínhamos em mente que essa é uma ferramenta mais do que útil para profissionais de growth. Quando contamos para eles o nosso projeto, eles não tiveram como recusar. Porque em vez de ofertarmos um espaço publicitário em troca de dinheiro, propusemos que eles apoiassem em troca de uma licença para o próprio Deep Growth usar. Então seríamos usuários e divulgadores da marca.

Além disso, quando falamos dos entrevistados que traríamos, fez sentido para eles vincularem suas marcas a esses nomes.

A estratégia que usamos para conseguir patrocinadores foi pensar em uma proposta de valor que fizesse sentido para todo mundo. Algo que valesse a pena para eles, para nós e para a audiência.

Algo similar aconteceu com o Super Coffee, da Caffeine Army (cupom DGPODCAST te dá 15% off). Eles já passaram pela nossa mentoria e somos clientes da marca, de modo que falar bem dela é muito fácil pra gente. Mais uma vez o conteúdo fica autêntico e todos saem ganhando. No caso deles conseguimos kits para nossos convidados, um mimo mais que bacana!

Vai chegar o dia em que teremos patrocinadores colocando dinheiro no projeto, mas esse dia dificilmente é o dia zero (na real as propostas começaram a surgir tão logo o podcast entrou no ar, mas atribuo isso também à nossa audiência anterior ao podcast).

Disponibilização do conteúdo

Agora entramos efetivamente no lançamento do podcast.

Algumas das preocupações que tivemos quanto a isso — e que imagino que a maioria das pessoas tenha na hora de produzir um podcast — era: como faremos para manter a consistência na publicação de conteúdo?

Essa dúvida só existia porque eu sei que minha rotina não me permitiria gravar toda semana. E se eu perdesse um dia de gravação, isso impactaria a minha capacidade de atender à expectativa dos ouvintes.

Para que isso não acontecesse, tomamos a seguinte decisão: não gravaríamos um episódio por semana até terminar a primeira temporada. Gravaríamos a primeira temporada inteira, numa tacada só, e publicaríamos um episódio por vez.

Essa tática só foi possível porque o conteúdo do nosso podcast é evergreen, quer dizer, não fica obsoleto nunca. Se estivéssemos fazendo um conteúdo sobre notícias ou coisas que acontecem no dia-a-dia, essa estratégia não seria possível. Mas a partir do momento em que o tema é perene, esse foi o caminho que encontramos para não perder um dia sequer de publicação.

Crescendo o podcast: nosso programa de indicações

Essa aqui talvez tenha sido a maior sacada que tivemos com o podcast.

A nossa situação era a seguinte: não queríamos esperar pelo resultado orgânico, mas também não queríamos colocar grana no projeto logo de início, para além da criação da marca e compra do domínio. Por isso decidimos olhar para alguma estratégia que fosse tão efetiva quanto anúncios mas que não nos custasse tanto.

Foi quando lembramos do nosso querido amigo Rodrigo Noll da Base Viral. O trabalho dele é justamente ajudar negócios a aumentarem suas vendas através de programas de indicação mais inteligentes. Ou seja, usar o próprio network existente para chegar a novas pessoas.

Trocamos uma ideia com ele, que validou a estratégia que havíamos montado.

O que fizemos foi oferecer prêmios para as pessoas que trouxessem o maior número de ouvintes para o podcast. E para o primeiro lugar oferecemos uma vaga para a nossa mentoria (que custa R$15.000).

Referral do Podcast Deep Growth

O resultado foi tão positivo que chegou a ter gente comprando tráfego no Facebook para levar pessoas ao link de referral.

Anúncios com o programa de referral

Quando se trata de alcançar mais ouvintes, não necessariamente você precisa usar o playbook clássico de comprar anúncios, social mídia e SEO. Dá para aplicar táticas mais engenhosas para crescer o alcance sem crescer os seus custos proporcionalmente.

Inclusive, se não souber muito bem como elaborar essas táticas, recomendo ouvir o nosso podcast. Um dos tópicos que falamos lá é justamente sobre isso.

Impressões gerais sobre ter um podcast

Estamos ainda no começo desse projeto. O Deep Growth possui muito potencial de crescimento (assim como a maioria dos podcasts) e ainda não exploramos nem 5% desse potencial. Mas já de início eu pude sentir que podcast é uma mídia completamente diferente das outras que costumo trabalhar.

A maior diferença que eu percebi é no nível de proximidade com os ouvintes. É uma relação sincera que surge — as pessoas passam a ser verdadeiramente fãs do conteúdo. E como eu soube disso? Porque já de início começaram a vir vários feedbacks qualitativos de pessoas que eu não conhecia e que ouviram os episódios. Muitos me mandaram mensagem no Linkedin ou DM no Instragram.

Essa é uma sensação muito bacana que eu não tinha experimentado com blog, por exemplo. Receber feedbacks desses, demonstra o quanto compartilhar conteúdo é importante e o quanto podemos impactar a vida de outras pessoas para melhor.

Outro aspecto muito massa que eu estou vendo — que é mais subjetivo do que objetivo — é o quanto dá para aprender ao produzir um podcast. Falo especialmente por conta dos convidados e das conversas que temos. Apesar de muitos dos assuntos que trazemos com o Deep Growth serem coisas do meu cotidiano, é totalmente diferente quando trazemos alguém especialista para mergulhar no tópico.

Poucos empreendimentos permitem enriquecer tanto a visão de mundo quanto esse tipo de conversa e a produção desse tipo de conteúdo.

Por fim, se você pretende começar um podcast, eu tenho dois conselhos:

Primeiro, não é necessário muita grana para começar. Gabriel e eu fizemos algumas escolhas como contar com um editor profissional, um designer e comprar microfones de maior qualidade, mas esses investimentos não são obrigatórios. Se você cuidar daqueles três pontos que eu trouxe no artigo, é plenamente possível começar um podcast e construir uma audiência em volta disso.

Segundo, que o que se precisa de fato é de dedicação e consistência na produção do conteúdo. O resto você aprende ao longo do caminho.

Uma curiosidade e uma indignação

Antes de encerrar o artigo, eu quero compartilhar só algumas últimas coisas.

A curiosidade é que o analytics é muito ruim — e quero reforçar o quanto é ruim. Tanto o analytics do Google Podcasts quanto do iTunes deixam bastante a desejar. Por serem empresas conhecidas pela sofisticação tecnológica, eu esperava minimamente que trouxessem dados à altura das outras soluções que eles possuem, como é o caso do Google Analytics, para análise de tráfego. O Spotify, sem sombra de dúvidas, está a mil anos luz de todos os outros.

Mas apesar de serem ruins, eles trazem algumas informações até engraçadas. Por exemplo, o Spotify tráz quais são os artistas que as pessoas mais ouvem. Eu fiquei fascinada com esse dado e quero que vocês vejam também:

Artistas ouvidos pelo público do Deep Growth

Um bocado diferente do meu gosto musical.

E a indignação é que eu fiquei chocada – e extremamente triste – com a quantidade de mulheres que ouvem ao podcast. Apenas 10% contra 90% de homens.

Distribuição de gênero da audiência do Deep Growth

Eu queria muito uma resposta das mulheres aqui. Por favor comentem nesse artigo e me digam porque há tão poucas mulheres ouvindo o podcast? É por causa do assunto? Não consigo acreditar que seja.

Então eu faço um pedido a todas as mulheres do Brasil: ouçam mais podcasts sobre negócios. Não precisa ser só o Deep Growth. Mas vamos trabalhar para melhorar essa estatística que ela está feia demais.

É isso! Espero que esse conteúdo seja instrutivo para quem quer começar um podcast e não sabe por onde, e que seja inspirador para quem tinha pensado em começar mas nunca tinha levado a ideia a diante. Bora gravar?

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