Pássaros voando, seguindo o primeiro

Brasil é visitado por fellows da Kauffman Foundation

Semana passada tive a oportunidade de comparecer a dois eventos a convite do Brazil Innovators que contavam com a participação de fellows da Kauffman Foundation, em viagem para conhecer o ecossistema empreendedor brasileiro.

Alguns destaques desses dois eventos:

– Networking: quem tem ou pretende ter uma startup já deveria ter claro que networking é fundamental. Isso não significa que todo seu time deve parar de trabalhar e ir aos eventos, mas é importante que um vá (geralmente o CEO) e mantenha contato com pessoas que podem agregar ao negócio. Os dois eventos mencionados tinham ainda muito investidores (quer dicas para montar seu deck para investidores?), importante para quem está captando ou precisará captar em breve (praticamente 100% das startups estão nessa situação, certo?). Encontrei muita gente disposta a ajudar, outros empreendedores que contribuíram com ideias e compartilharam experiências, além de investidores dispostos a investir.

– O Brasil pode não estar quente, mas ainda chama atenção: quando fiz um exit de uma das minhas startups anteriores e fui para os EUA houve muito assédio de investidores e outras startups. O Brasil não estava só quente, ele estava fervendo. Agora existem incertezas econômicas (como também no resto do mundo) mas isso trás uma sobriedade maior e demonstra um mercado mais maduro e estável de certa forma. A boa notícia é que apesar do Brasil não estar quente ele ainda atrai interesse: é um mercado gigante, com as tecnologias em expansão (Internet, banda larga, smartphones, biotecnologia etc) e o que isso trás de mais importante para investidores é que o momento de investir é agora. Quando ele estiver totalmente desenvolvido a competição será muito maior.

– As instituições de ensino estão abrindo os olhos: o presidente da Insper, Claudio Haddad, deu a entender que lançarão um curso de Engenharia com foco empreendedor. A FIAP cedeu espaço para um dos eventos (e tem um coworking mega bacana, gratuito para empreendedores, na Avenida Paulista). Fernando Reinach, da Pitanga, deixou claro que buscam inovações reais, principalmente dentro de universidades. Lembrem-se que nos EUA e em outras potências do empreendedorismo (como Israel) existe estímulo ao empreendedorismo dentro da academia. Afinal, muitas coisas são estudadas em faculdades e podem se tornar negócios. Basta que nós, como brasileiros, comecemos a enxergar dessa forma e tenhamos apoio e incentivo dentro desses centros de educação. Se eu fosse uma instituição de ensino estaria me perguntando “como posso me tornar a ‘Stanford’ do Brasil?”. No mínimo é um baita negócio! (cabeça de empreendedor não para de buscar oportunidades…)

– Dave McClure (500 Startups) e Mario Letelier (Flying Rivers) colocaram pontos que considerei extremamente relevantes: Dave falou que a melhor forma de ajudar um empreendedor brasileiro é fazendo um cheque (investindo). Mario destacou que por ainda estarmos criando um mercado de startups o co-investimento entre fundos é essencial.
Vamos deixar de conversa e agir! Realmente a melhor forma de ajudar é gerando negócios, é apoiando financeiramente, é tendo um fundo ou portfólio ativos. Nós como brasileiros aprendemos rápido, nos adaptamos, não tenho dúvidas que os conhecimentos gerenciais, de negócios, tecnológicos e jurídicos vão seguir mas sem investimento a coisa não vai acontecer. (Informação: ambos são investidores da UniPay, startup que co-fundei, talvez até por isso eu concorde tanto, tendemos a buscar investidores que se alinhem com nossa visão).

– Um painel com startups brasileiras de sucesso demonstrou o caminho tortuoso que nós passamos como empreendedores para fazer as coisas acontecerem por aqui (impostos, legislação, burocracia etc) mas também demonstrou como investidores de visão, que não buscam o faturamento e lucro imediatos, mas sim percebem a visão dos empreendedores e apostam que eles encontrarão o caminho para o retorno financeiro no futuro, alinhados a empreendedores com garra e conhecimento podem fazer negócios grandiosos e de sucesso no Brasil.

– A cereja do bolo foi o consenso geral de que veremos mais exits (saídas de empresa – normalmente aquisições ou aberturas de capital) relevantes no Brasil. Ainda esse ano devemos ver um IPO interessante de empresa de Internet no Brasil (provavelmente NetShoes) e saídas maiores estão por vir em 2014 e em 2015 mais ainda.

Vamos todos trabalhar para que isso aconteça e tornar o ecossistema mais saudável, inovador e estimulante a cada dia! Faça a sua parte e não feche os olhos para os avanços, mas não se acomode no mesmo discurso de todos: procure, se aprofunde, cresça como pessoa, profissional e gestor de empresas e/ou gestor de investimentos!

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