Mesa de estudos

Educação: a importância da evolução constante

Estava organizando documentos essa semana e me deparei com diversos envelopes com certificados de conclusão de vários cursos livres, além de diplomas de conclusão da faculdade e das etapas do colégio.

Nunca havia me dado conta do quanto já investi do meu tempo em educação e o quanto meus pais, sempre pacientes comigo, também se esforçaram ao longo dos anos para investir na minha educação. Alguns dos cursos foram pagos integralmente por mim, que trabalho desde os 15 anos de idade, já outros foram parcialmente por mim e parcialmente por eles e outros realmente ficaram por conta desses grandes patrocinadores, que mesmo sem recursos financeiros extensos, sempre buscaram me apoiar, além da minha vó, que teve papel fundamental no início da minha formação em Bacharel em Comunicação Social.

Ao longo dos anos sempre ouvi muito “como você é nova e já fez tantas coisas!”. Sempre existe um certo interesse e curiosidade dos demais em saber como cheguei tão longe, tão cedo, especialmente anos atrás, quando tinha meus vinte e poucos anos.

Talvez uma das respostas seja essa: sempre investi na minha educação, na minha evolução, em conhecimento. Não só através de cursos mas de muita leitura e, claro, aplicação prática de tudo que eu consumia em termos de informação, além de ter conhecido pessoas incríveis ao longo do caminho, que sempre fizeram suas contribuições para comigo através de conversas.

Uma coisa é certa: não basta o consumo. É preciso se aprofundar, questionar, buscar fontes diferentes. Nem tudo que você lê ou aprende é verdade e, mais ainda, nem tudo se aplica exatamente daquela forma à sua realidade.

Lembro de um ex-sócio, bem mais experiente que eu, me aconselhando quando eu quis fazer um MBA (meu sonho é o de Stanford): “O melhor MBA que você pode ter é nossa empresa, Tahi. Não perca tempo com isso”. Talvez ele estivesse certo – e com certeza preocupado com minha total dedicação à empresa – mas talvez não. Acredito que uma mistura de formação acadêmica e prática é essencial para o desenvolvimento pessoal e profissional, e ainda penso sim em fazer uma pós-graduação, apesar da agenda insana.

Fico imaginando como seria nosso Brasil se mais pessoas pudessem estudar, tivessem acesso a informação de qualidade. Não à toa fiz um levantamento de recursos particular para uma ONG focada em educação, a Fundação Estudar, via Kickante (plataforma de crowdfunding da qual fui CEO). Foi uma pequena colaboração para aquilo em que acredito. Com frequência palestro sem cobrar, para os mais diversos públicos, numa tentativa de levar mais informação de forma humilde, àqueles que possuem interesse nas áreas em que atuo.

Sei que o caminho é árduo por muitas vezes. Eu não teria condições de fazer a faculdade particular que fiz por quase toda minha graduação, a ESPM. Passei em 4o lugar geral no vestibular da instituição, o que me permitiu pleitear uma bolsa de cunho social atrelada à performance acadêmica; aprender programação e webdesign nos EUA aos 15 anos de idade foi graças a um esforço sobre humano dos meus pais.

Não tive acesso a coisas que alguns amigos e colegas de classe média tiveram, como viagens internacionais (fiz uma em que aprendi sobre web e pude estudar em um colégio norte-americano graças a uma poupança feita por meu avô desde que eu nasci, e que foi integralmente consumida com a viagem) ou carro aos 18 anos, mas tenho certeza que o foco dos meus pais em permitir que eu pudesse estudar trouxe mais resultados positivos que todo o resto que eu pudesse querer aparentemente àquela época.

Brinco em palestras que “comecei Publicidade e terminei Medicina”, pois foram 8 anos do início da faculdade até a sua conclusão, devido à minha conturbada vida empreendedora, com muitos dias, noites e madrugadas consumidos por negócios. Mas sou grata por ter terminado, creio que isso tem sua importância.

Ao ver tantos certificados (por mais simbólicos que sejam pois o relevante é o que você faz com o que aprende) de períodos de vida diferentes meus, pude perceber que o investimento em capacitação traz sim resultados.

Fica então a minha dica para que busquem saber mais e, principalmente, que transmitam aquilo que aprendem aos outros – essa sim a maior riqueza de ter conhecimento sobre algum tema.

2 comentários em “Educação: a importância da evolução constante”

  1. Emanuel Piza

    Nossa auto capacitação é o caminho pra uma constante evolução… Cada formato de capacitação tem suas vantagens, inclusive a educação formal.

    Para esse caso, as principais vantagens no meu ponto de vista são as conexões que você faz com pessoas de propósito semelhante, um foco período maior de foco, o que pode aumentar a retenção, e principalmente a mudança causada na identidade. Exemplo “agora sou ___ (médico, advogado, PhD…)”

    Identidade é uma peça chave que muitas vezes subestimamos. A forma como nos enxergamos tem um peso enorme em relação a onde podemos chegar e o que podemos construir na vida.

    Boa sorte em Stanford e nos mantenha por dentro dos aprendizados.. ☺️

    1. Super obrigada por um comentário tão completo e que contribui tanto com a visão sobre educação.
      Com certeza a forma como nos enxergamos e o que fazemos a respeito da nossa evolução tem um peso grande mesmo no que podemos construir.
      Obrigada, mais uma vez!

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